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São Paulo, SP, Brazil
A poesia é água cristalina, sacia a sede, alimenta o espírito. Já não posso mais dizer se ela quem me habita ou o contrário. Como explicar sobre? A escrita é uma lâmina afiada, um vulcão, ou apenas ilha de águas mornas, banha pés descalços... Nunca quis definir a poesia, melhor esquecer-se das explicações. Escrever passou a ser janela exposta, que por hora, mantêm-se aberta ao mundo de quem lê. *** Mineira/Paulistana/ Poeta, Escritora, Administradora de Empresas, Pós Graduada em Gestão Empresarial. Laureada com o III Prêmio Canon de Literatura e Poesia em 2010. Márcia Christina Lio Magalhães é Sócia-Fundadora da Academia de Letras Juvenal Galeno, onde ocupa a Cadeira nº 10. Diretora de Relações Culturais da ALJUG. Membro da ACE - Associação Cearense de Escritores. Este Blog é dedicado a todos os amantes da poesia e que possamos através dela, unir horizontes, atravessar oceanos, iluminar os corações, alegrar os solitários, apaziguar a alma, multiplicar as amizades, eternizar as emoções. Sejam bem vindos!*** Livros Publicados: POETAR É PRECISO - 1° edição 2010 ** A PELE QUE HABITO - 1° edição 2013.

22 de abr de 2017

Tranquei a Faculdade pra comprar uma Motocicleta

Meu pai sempre dizia: “filha vai estudar”!! Porque para ele um diploma universitário abria portas. E sem dúvida, o mercado nos cobra isso, não só conhecimento técnico, mas universitário. Mas para uma menina de 17 anos, isso não era prioritário.
Lembro-me bem da época do governo Collor, o tal congelamento da poupança, que levou tantas empresas à falência e houve aquela demissão em massa.
Na época eu exercia a função de Secretária Jr. numa empresa de Telecomunicações, cursava a tão sonhada Faculdade de Psicologia, mas confesso que já no segundo semestre do curso, não me sentia envolvida com aquilo tudo, com as ideias de Freud, Piaget e outros mais. Adorava meus professores e certamente todas aquelas disciplinas seriam muito úteis no decorrer da minha vida, e foram.
Não faltava a nenhuma aula, mas ao invés de me aprofundar, achava que tudo aquilo não combinava comigo e ficava sonhando com uma motocicleta, com a liberdade que ela me traria, onde ela poderia me levar, as estradas, curvas, retas e o vento no rosto...
Eu era muito ingênua, inexperiente com o que eu almejava para o futuro.
Até então, eu sempre havia trabalhado em escritório e achava que ter um Consultório como Psicóloga e um divã moderno seria o máximo. Em verdade, na minha ingenuidade genuína, eu acreditava que como Psicóloga eu iria mudar o mundo, ajudar todas as pessoas, resolver os problemas delas, achava que seria meio heroína, era essa a ideia que eu fazia dessa profissão na época, mas no decorrer do curso, não me encontrei.
Cursei 02 anos de Faculdade, e ao final do segundo ano veio a crise, a empresa me demitiu e meses depois faliu.
Arrasada, porque adorava o trabalho, as pessoas, a equipe, os chefes, sim eu tinha dois, fiquei meio sem chão.
Daí então, um velho sonho antigo começou a me rondar as ideias, comprar uma motocicleta...
Eu recebi a indenização, o FGTS, mas ainda tinha no mínimo 02 anos pela frente para terminar a faculdade, sem contar mais um ano de especialização.
O que fazer? Brasil em crise, empresas falindo, demitindo, dinheiro trancado no banco, recessão, esperei dois meses e nada, não consegui voltar ao mercado (eu só tinha o Ensino Médio), não era formada, então eu seria a candidata no fim da fila...
Depois de muito ponderar os prós e contras, e com meus pais totalmente contra a minha decisão, abandonei a Faculdade, tranquei o curso, e comprei uma motocicleta.
Lembro-me como se fosse hoje a felicidade da realização do sonho, mas todo o sonho tem seu preço. Enfim, comprei a moto, tinha acabado de tirar a sonhada habilitação AB, podia pilotar sem medo, eu estava em dia com a legislação de trânsito.
Foram meses de muita aventura, maluquices no bairro, eu era a única menina “dona” de uma motocicleta no meio dos marmanjos, mas meu irmão também tinha moto, então estava tudo certo.
A adolescência é uma fase singular, acreditamos que podemos conquistar o mundo, e podemos, mas meio desgovernadamente...
Foram anos incríveis, mas anos sem pensar no futuro, sem planejamento profissional (aí vem o preço que se paga pelas escolhas) então esteja preparado, para o atraso de alguns anos na realização de seus ideais.
Posteriormente, fui desenvolvendo uma carreira sólida na área Financeira, depois na área de Marketing, encontrei meu lugar no mundo, no que me agregava de fato valor, o que me realizava, o ambiente corporativo era meu dia a dia, finanças, vendas, marketing, eu havia encontrado meu porto.
Enfim voltei a estudar, conclui a tão sonhada Graduação, fiz uma Pós Graduação, mas meu pai não viu eu me graduar, ele faleceu um ano antes.
Os sonhos de adolescência às vezes são inconsequentes, e podem nos causar um certo “atraso” na evolução da carreira, por isso sempre digo em meus treinamentos, quando estou dando uma Consultoria para um time mais jovem, sonhar é sadio, mas avalie primeiro todas as tuas decisões, se vão interferir positivamente ou não em sua carreira. Projete-se primeiro e tente imaginar você daqui a 05 anos, pergunte-se o quão as tuas decisões, as tuas escolhas irão interferir no seu futuro, vale a pena? Só você poderá responder.

Mas já dizia o poeta:

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena...”


-Márcia Christina Lio Magalhães-
Artigo publicado no IN Abril/2017