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São Paulo, SP, Brazil
A poesia é água cristalina, sacia a sede, alimenta o espírito. Já não posso mais dizer se ela quem me habita ou o contrário. Como explicar sobre? A escrita é uma lâmina afiada, um vulcão, ou apenas ilha de águas mornas, banha pés descalços... Nunca quis definir a poesia, melhor esquecer-se das explicações. Escrever passou a ser janela exposta, que por hora, mantêm-se aberta ao mundo de quem lê. *** Mineira/Paulistana/ Poeta, Escritora, Administradora de Empresas, Pós Graduada em Gestão Empresarial. Laureada com o III Prêmio Canon de Literatura e Poesia em 2010. Márcia Christina Lio Magalhães é Sócia-Fundadora da Academia de Letras Juvenal Galeno, onde ocupa a Cadeira nº 10. Diretora de Relações Culturais da ALJUG. Membro da ACE - Associação Cearense de Escritores. Este Blog é dedicado a todos os amantes da poesia e que possamos através dela, unir horizontes, atravessar oceanos, iluminar os corações, alegrar os solitários, apaziguar a alma, multiplicar as amizades, eternizar as emoções. Sejam bem vindos!*** Livros Publicados: POETAR É PRECISO - 1° edição 2010 ** A PELE QUE HABITO - 1° edição 2013.

10 de mar de 2011

Espírito Motociclístico

Desde adolescente ouço esse tema, lema como queiram...
Mas como definir?

Piloto motos há “quase” 20 anos, é verdade, já sou uma balzaquiana...
Nessa longa estrada e porque não dizer aventura, deparei-me com gente de toda a espécie, motoqueiro, monstro-queiro, motociclista, moto-turista, motoboy, não importa o adjetivo para denominar o amor que se tem pelas duas rodas, esse é igual para todos, ao menos era o que eu pensava até pouco tempo atrás, mas as opiniões mudam...

Antigamente as motos tinham baixa cilindrada, não havia moto grande importada, e ter uma 125 cc já era fato de orgulho, para o dono.
Lembro-me que na época da inexistência de Lei que obrigasse o motociclista fazer uso do capacete, paráva-mos no farol e com um gesto simples, mas peculiar, cumprimentávamos uns aos outros com um balançar de cabeça humilde, e quando na rua, ao cruzar com outra moto, tínhamos o hábito de buzinar e inclinar a cabeça fazendo um cumprimento que era quase um aperto de mão...

De lá para cá muita coisa mudou, vieram as motos maiores, 350, 450, 600, 900, RR, R1, ZX, 1200 e com elas, novos proprietários de motocicletas e novas visões de mundo.
Criaram-se Sites, Blogs, Irmandades, Moto Clubes, Fóruns, e foram então se dividindo os “donos” de motos pelo poder do cifrão...
Aos poucos o Espírito Motociclístico foi sendo esquecido, dando lugar aos interesses individuais...
Sem querer generalizar, acredito que ainda persiste nos corações daqueles que de fato amam o motociclismo como um Ideal, não só de aventura mas de liberdade!

Todavia o espírito Motociclístico, aquele que se tinha antigamente, de amizade, companheirismo, família, fraternidade, confraternização, foi perdendo terreno nos corações de alguns...
Pois é, conheci muita gente boa nesse meio, gente que como eu respeita e é respeitado, não pela sua cor, conta bancária, estado civil, religião, nem pelo tamanho da cilindrada da moto, tão pouco por outros interesses menos nobres...
Mas as coisas nem sempre são como esperamos que devam ser, justas!

Percebo que tem gente que anda de moto, viaja junto, senta no boteco pra beber junto, joga conversa fora, conta piada, brinca, participa de fóruns, moto clubes, mas na verdade NÃO SÃO MOTOCICLISTAS! Apenas andam de moto...
Existe uma diferença grande em ser motociclista e em apenas andar de moto.
Até mesmo alguém que de repente está sem moto momentaneamente por alguma situação temporária é mais motociclista que muitos que se dizem por aí sendo um! 

O Espírito Motociclístico não tem alter-ego! Não é orgulhoso, melindrado...
Tem gente que senta na moto, sai por aí empinando bandeiras, mas na verdade, sequer sabe o que de fato é ser um MOTOCICLISTA!
Tem gente que só anda de moto, e andar de moto não é ser Motociclista! Andar de moto, qualquer um anda! Agora ter o espírito de amizade, fraternidade, honestidade, idoneidade, companheirismo, respeito, isso é privilégio de poucos...

Eu aprendi e aprendo todo dia, que é melhor fazer papel de tolo do que fazer papel de esperto! Já dizia meu velho e sabido pai: 
“A esperteza quando é muita, vem e come o dono!”

E assim é com as amizades, tem gente que não sabe valorizar uma amizade sincera, possivelmente até pode subjugá-la ingênua, mas na verdade, esses que assim se comportam, são aqueles que só sabem andar de moto... Não são de fato MOTOCICLISTAS!
Tão pouco sabem diferenciar o quê de como, e se questionados sobre isso, provavelmente vão tergiversar!
Espírito Motociclístico para eles é tão somente ter moto e acelerar, pena que em verdade, não sairão do lugar comum...

(Crônica de Márcia Cristina Lio Magalhães)

1 de mar de 2011

Velho Professor - O Destino

Contigo aprendi que as verdades são passageiras e tudo dura o instante de um olhar...
Compreendi, que os barcos passam invisíveis na rota dos sonhos, daqueles que já não sabem mais sorrir...
Fiz-me rio de correnteza amena, para lançar barcos que flutuam a mercê do tempo...
Vozes esquecidas numa página qualquer de caderneta antiga, manchada de dedos calejados por incertezas...
Contigo aprendi que os sonhos platônicos são mais reais que o fogo incandescente de um vulcão anônimo!
Notei que tua boca fala alto demais e que teu coração mente com sorriso nos lábios.
És mais ave de cemitério que pomba de mural de um solo santo!
Cantas como que tentando cativar olhos singelos, finge-se poeta para esconder tolos mistérios...
Fútil ilusão, insana demência...
Acorda! Vês que os teus passos seguirão velhos numa estrada esquecida de qualquer cidadezinha do interior?
Cantavas como o rei, num reinado solitário e vago...
Condenado a colher migalhas como pombos de praça ao meio dia, sem asas...
Trazer a ferro e fogo a dor de alguém que despertou amor, rasgar a página escrita com a sede das verdades...
Picar papel, pena e verso!
Lançar à fogueira das vaidades, parece-me coisa de principiante...
Viver sem correr riscos é o mesmo que sentar na estação, esperar o trem por toda a tarde e não entrar no vagão...

(Márcia Cristina Lio Magalhães - Crônica Publicada no Jornal O Povo/2010)